Também morre quem atira


 E quem não atira morre mais ainda

Cinco dias após os eventos, que levaram a morte do famoso apoiador do presidente D.T as redes socais ainda reverberam o acontecimento. Ouvi a opinião de diversas pessoas da imprensa, youtubers, esquerdistas e reacionários. 



Da direita, conservadores, nacionalistas, reacionários, ouvi que deveríamos lamentar a morte, e que os culpados são a, b e c. Alguns clamam por vingança, outros denunciam o que chamam de "Agenda Woke". Muitos recorreram a fotos do defunto carregando seus filhos no colo, (Agora eles são sentimentais) ou abraçado a sua esposa, uma bela cena da Doriana, uma família feliz na terra da liberdade. Políticos oportunistas já tomaram proveito da situação logo após a bala ter transpassado o pescoço da vítima, e como já devíamos esperar, um vira-latas da política nacional reclamou o posto de C.K do Brasil.

A direita é hipócrita? Sim, pois ninguém com saúde pode esquecer o que se passou no Brasil e no mundo nos últimos 10 anos. Essa infeliz fração da sociedade vem fazendo campanhas de ódio alimentadas por muitos milhares de dólares de ricaços como E.M, irmãos Koch, S.B e outros criminosos. Essa é a política da direita, a política que deixou nosso ex-presidente confortável a prometer fuzilar a petralhada, que zombou dos mortos da ditadura, que dizia que homossexuais mereciam "porrada" e que riu dos mortos da pandemia. 

Um médico teve seu visto revogado, um conhecido jornalista e historiador foi cancelado mas devo dizer que no seu pedido de desculpas reiterou tudo que disse, a meu ver uma postura honrada em tempos de "apóstatas", de traidores das suas ideias. 

O que acontece na metrópole é notícia

A história daquele certo país do norte é marcada pela violência política, desde o assassinato do escravagista Abraham Lincoln, (aliás todos homenageados no Monte Rushmore eram donos de escravos) até as mortes de Martin Luther King (Que carrega um nome infame) e Malcon X.

É claro que a narrativa será de que a esquerda é violenta, quado os números mostram exatamente o oposto. Desde os inúmeros atentados cometidos contra minorias até os assassinatos políticos. No momento que escrevo pairam dúvidas sobre o "lado" do suposto assassino.

A violência pelo mundo

Para não ficar apenas no norte, podemos citar o continente africano onde tivemos as mortes de Patrice Lumumba e Thomas Sankara, obviamente que estes não são os únicos exemplos. 
No México Emiliano Zapata, na Índia temos o exemplo do Assassinato de Gandhi, no Chile o de Allende etc.



Na Palestina ocupada, os assassinatos foram sempre a regra, as forças coloniais que lá impuseram seu Estado Colonial, assassinaram e assassinam tentando calar todas as vozes que lutam contra a ocupação, mas também até mesmo aquelas mais moderadas, que aceitaram a solução do imperialismo. Foi assim que Yitzhak Rabin  acabou eliminado por fanáticos de extrema-direita. E mais exemplos não faltam, podemos falar do rei Faisal da Arábia Saudita cujas reformas "avançadas demais" para seu tempo lhe condenaram a morte. Podemos ver que na extrema-direita há uma competição para o posto de mais fanático.

Filhos do arco-íris*

Há uns anos um extremista invadiu uma ilha na Noruega e fez mais de 70 vítimas que se identificavam como pessoas de esquerda. O facínora inclusive cita o Brasil diversas vezes no seu manifesto, critica a miscigenação e o multiculturalismo.  No Brasil uma vereadora foi assassinada sem a menor chance de defesa e há muitos outros exemplos pelo mundo à fora, como na Colômbia onde ex-guerrilheiros que se renderam a luta eleitoral, foram assassinados.

Essa lista é interminável, e nela so falei das pessoas que foram diretamente assassinadas, mas como diz Brecht, "é possível matar um homem de diversas formas".  A maioria dos nossos heróis morreram no cárcere, nas greves de fome e nas lutas.

A extrema-direita vem se articulando fortemente em todos os lugares no mundo, no Brasil o ex-presidente criou a sua própria falange armada, os chamados CAC'S, no tal país do norte esses celerados estão armados até os dentes.   

E quanto a esquerda? Essa coitada, estão fadados a eliminação total em curto espaço de tempo. Na esquerda há uma aversão completa pelas armas ou por qualquer coisa relacionada a defesa pessoal, o pacifismo impera. Para além disso, a esquerda foi completamente sequestrada, idiotizada, amansada, já não se fala em socialismo, luta de classes, e a palavra revolução passou a ser palavrão.

Qualquer um que fale em defesa é visto como autoritário, violento. Mesmo qualquer ato de auto-defesa também é visto por uns como desnecessário, perigoso ou contrário aos dogmas. Alguns se contentaram ao papel de sacos de pancada, é como diz a frase: "eles tem as armas, nós temos as flores", e adivinhe quem morreu...

Na morte do propagandista das armas, (Dentre outras propagandas) vi aqueles que comemoraram e aqueles que criticaram os que comemoraram. Ouvi das vozes mais mansas que até citaram Nietzsche para defender seu pacifismo. É óbvio que a elite e seu braço armado da direita nos querem mansos e indefesos. A ideologia dominante resultou!

Do me lado, não tenho nenhuma simpatia alguma pelo cadáver, este ou qualquer um que propague ódio contra minorias, sou indiferente. Acordei, tomei o meu café e reguei minhas plantas, assim como faço todos os dias, não temos nenhuma vitória para comemorar.

Uma coisa é certa, a mão direita mata muito mais que a esquerda. 


Lillebjørn Nilsen - Barn av Regnbuen - NRK 1973 *




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