A vida é um jogo

A vida como um jogo de tabuleiro 

Giovani, Warlen, eu e Tadeu


Nosso querido amigo Warlen chegou a última casa, um tanto quanto antes de nós. Foram muitos dias de luta, mas finalmente descansou no dia de ontem.

Há quase um mês recebi a notícia de que fora internado e que tratava uma infecção bacteriana, naquele momento dei meu amigo como morto, não parecia ter nenhuma esperança, mas surpreendentemente ele resistiu, entre idas e vindas da UTI. 

A notícia nos pegou com muita surpresa, aliás nas últimas vezes foram uma atrás da outra, sem dúvidas que não mereceu nada disso. Morreu jovem, o caçula entre os irmãos, ninguém espera por isso, quando a ordem natural da vida é quebrada, quando alguém parte cedo demais. 

Há uns dias também faleceu um professor muito querido, e falando com um amigo, ele me disse que daqui pra frente será assim e que temos que aceitar. Pois, para mim não é nada aceitável que uma pessoa tão jovem morra assim tão cedo, mesmo para o professor que já tinha lá seus sessenta e cinco anos. Afinal, ninguém quer a morte, só saúde e sorte...

Uma pessoa simples, sem vaidades, Warlen foi sempre aquele amigo brincalhão, prestativo, tinha um enorme prazer em receber visitas, trocar ideias, ouvir música e "beber umas", coisa de mineiro de alma fluminense.

Amigo de todo mundo, e conhecido pelo bairro, numa época sem redes sociais, e qualquer dessas porcarias que vieram roubar nossa atenção. Sem dúvidas fez muitos amigos da vida real, e cada um de nós guarda uma história engraçada, uma memória da beleza natural de Angra e a companhia do amigo. Perdemos mais um figuraça do Barreto!

Abaixo a Propriedade!
Passei muitas tardes com Warlen, as vezes jogando xadrez, vendo problemas de computadores, (Ajudando pessoas) assistindo documentários ou filmes e sobretudo pirateando softwares, jogos e músicas. Ele foi um dos maiores piratas que conheci, seu computador tinha um gravador de cd's que juntos fizemos muitas cópias de sistemas operacionais, milhares de mp3, e aplicativos que ajudaram muitos outros amigos.

Warlen Anti-imperialista
Certo dia bati a janela do Warlen e ele estava dormindo, eu tinha acabado de ver na TV o 11/09, quando ligou a Tv do quarto soltou um palavrão. Momento marcante, Warlen sempre foi um anti-imperialista, um revoltado contra esse sistema injusto. Lembro que uma vez li um poema que ele escrevera sobre Walt Disney e o seu Mickey Mouse. Naquele tempo havia me falado de um romance que estaria escrevendo, não sei como isso progrediu. 

Contribuições para o meu Anarquismo e a luta anti-colonial

Foi também com Warlen que tive o primeiro contato com as obras de Proudhon e com mais artigos sobre a questão Palestina, a "régua moral do século XXI" como diz Breno Altmann. 

Gostava muito de ler, tinha uma boa coleção de livros naquela época e cursou Letras na UFF, escrevia bem, e se interessava por artes plásticas, música, tocava centenas só de cabeça.

Escrevia muitas poesias, crônicas, artigos de opinião, e nesse quesito sempre tinha seu traço de rebeldia e inconformidade com a exploração capitalista. Se identificava como marxista e chegou a militar no PSTU mas por pouco tempo.

Amava Raul Seixas, Legião Urbana, Cordel do fogo encantado, violão, percursão.

Conceição de Jacareí

Após a sua mudança ainda mantivemos contato, algumas visitas lá e cá, e principalmente por meios digitais e chamadas telefônicas.  

Visita a Jacareí e o pequeno Arthur

Warlen se foi mas deixou boas lembranças, memórias de Niterói e Angra, e sem dúvidas saudades para os amigos e familiares.




"É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais!
E cedo demais"





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